Empunhando orgulhosamente o slogan de “melhor cartaz de 2010”, o festival de música e arte de Oeiras tinha muito para provar junto do público, sobretudo por ter assumido desde cedo essa frase audaciosa como mote da massiva publicidade. O anúncio dos grupos participantes e de um novo palco foi um passo importante, mas esse era o primeiro impulso, que tinha de ser provado na prática, no recinto, onde os cerca de 40 mil espectadores aguardavam ansiosamente pelo abrir de portas para a entrada nos espaços que prometiam dar música aos portugueses.
Com um acérrimo estilo indie, os Local Natives foram os primeiros a encher o Palco Super Bock, com os temas pop/folk do seu primeiro álbum, lançado no ano passado, mas que só agora começa a ser conhecido. Esse factor não invalidou o contágio da energia dos californianos, que desde o início da sua actuação estabeleceram uma intimidade muito particular com a multidão que os ouvia.
Numa corrente completamente diferente dos anteriores companheiros norte-americanos, o “trovador nómada” Devendra Banhart teve alguma dificuldade em cativar os espectadores, mas pouco mais de dez minutos depois de iniciar as suas melodias já conseguia prender a atenção com o seu folk psicadélico. Os ritmos acústicos das músicas do disco “Smokey Rolls Down Thunder Canyon” (2007), bem ao estilo dos anos 60, eram por esta altura os que reinavam em “força”.
Em espaço contíguo, vindos directamente de Brooklyn, os The Drums tomaram de assalto o palco principal do festival de Oeiras, onde apresentaram os temas do seu primeiro trabalho discográfico, de onde se destaca “Best Friend”, um dos mais sentidos pelo público, que também não hesitou ao som de “It Will All End in Tears” e “Submarine”.
O despertar do «espaço mor» do evento ficou a cargo de Biffy Clyro, que se fizeram acompanhar do guitarrista dos Oceansize, Mike Vennanrt. Foi desta união de talentos que saíram as faixas interpretadas, a maioria das quais retiradas da playlist do último álbum dos escoceses, “Only Revolutions”, editado no ano passado e muito bem recebido no mundo do rock alternativo em que Simon Neil, James Johnston e Ben Johnston têm dado cartas. Ainda assim, a relação com o público não foi assim fácil, mas acabou por inflamar, já tarde, na última música, “The Captain”, vocalizada pelos artistas em coro com os fãs.
Com o final da actuação dos autores de “Many of Horror” chegou o momento dos Moonspell, que tiveram de ultrapassar a dificuldade de se fazerem ouvir devido a um sistema sonoro que esteve longe de ser o melhor. Este obstáculo fica registado, bem como a forma usada pelo premiado colectivo luso para suplantar uma lacuna técnica que lhes foi alheia, mas superada com mestria.
Já com um recinto muito mais composto, passavam poucos minutos das 20h30 quando o grosso do público aguardava por Florence and the Machine, que desde o início dos primeiros acórdãos puxou os aficionados a sentir a música, colocando ao rubro uma verdadeira moldura humana que se havia formado. Saltos de mãos no ar e o cantarolar das letras em simultâneo com os artistas britânicos duraram ao longo de todo o concerto, onde a audiência atingiu o êxtase com “Cosmic Love” e “Dog Days are Over”.
A força do regresso de Alice in Chains à música foi uma das grandes atracções deste primeiro dia do Alive!10, que trouxe o quarteto de Seattle a Portugal, quatro anos depois do espectáculo na capital. Agora com o novo trabalho discográfico, “Black Gives Way to Blue” (2009), os norte-americanos deram mostras de que estão para ficar, cerca de 15 anos após a morte do vocalista e co-fundador da banda, Layne Staley, a quem o grupo dedicou o álbum que esteve em destaque no espaço de Oeiras. Foi em memória do malfadado ex-membro dos “Chains” que foram interpretados alguns clássicos do grupo, que provocaram colossais momentos de nostalgia nos espectadores, por esta altura já satisfeitos com a performance estelar do colectivo liderado por Jerry Cantrell.
No palco secundário, pequeno demais para The XX, as emoções estiveram permanentemente ao rubro, e mais ficaram com a interpretação de “Crystalised” e do êxito de Kyla, “Do You Mind”. À semelhança do que acontecera na esgotadíssima actuação na Aula Magna, o trio britânico não deixou os seus créditos por mãos alheias e voltou a surpreender os espectadores, que lotaram por completo a tenda que os recebeu, onde não dava para encaixar mais nenhuma “alminha”.
De volta ao espaço principal do Alive!10, Tom Meighan e companhia “incendiavam” o público que tinha aguardado para os ouvir ao longo de todo o dia. Com um alinhamento bem distribuído entre temas novos e antigos, os Kasabian iam conseguindo contagiar os milhares que tinham os olhos postos no Palco Optimus, onde o grupo inglês fechou a actuação, em grande sintonia com os fãs, entoando o single de 2004, “L.S.F. (Lost Souls Forever)”, dignificado com honras de encerramento em grande, que chegaram a fazer lembrar o estilo inconfundível dos Oasis.
Uma das maiores expectativas do dia inaugural do festival do Passeio Marítimo de Algés era ver La Roux finalmente em palco, depois de cancelados, pela própria dupla britânica, dois concertos em solo luso. Foi precisamente com um pedido de desculpas por esse facto que se deram as palavras de abertura do espectáculo, que viria a assombrar pela positiva, e a que o público respondeu, sobretudo após “In for the Kill” e “Bulletproff”, as músicas mais aplaudidas e sentidas pela assistência, que não arredou pé do recinto para presenciar a voz, dança e imensa energia de Elly Jackson e Ben Langmaid, que se estrearam desta forma em Portugal.
Antes do cair do pano havia ainda tempo para os norte-americanos Faith No More, largamente apoiados por uma enorme falange de fãs portugueses, voltarem a deixar a sua marca em Terras de Camões, um ano depois de terem deliciado os aficionados nacionais. Com uma entrada singular, que começa a ser a imagem de marca do quinteto californiano, a actuação não podia ter sido iniciada com outra música que não “Midnight Cowboy”. O tema original de John Barry foi impulsionador do turbilhão de emoções que antecedeu “Evidence”, totalmente interpretada em português. É na sequência destas faixas que o vocalista, dirigindo-se aos espectadores, afirma que a «a obra dos Faith é como um fado americano», momentos antes de Mike Patton dedicar a Cristiano Ronaldo, que o vocalista apelidou de «palhaço», “A Day Fool For a Life Time”, single emanado de ritmos lounge/bossa nova, e com o qual os Faith No More fecharam um concerto memorável, que o foi ao nível artístico e de relação (íntima) com o público.
No desfecho da maratona de música do primeiro dia do Optimus Alive!10 estava dada a resposta a quem duvidava do potencial dos músicos convidados para a abertura do festival de Oeiras. O público aderiu em massa e era impressionante o “mar” de gente que assistia aos vários espectáculos, dos quais há a destacar as incríveis performances de Faith No More, Florence and the Machine e Alice in Chains, três colectivos que arrasaram colossalmente no recinto, electrizando o mais céptico dos espectadores.

Beni Adejumo, ou Benga, como é conhecido no mundo da música, é um dos artistas que integra os participantes do Showcase Enchufada, que acontece no segundo dia do festival de música e arte de Oeiras. O britânico, um dos nomes fortes do estilo dubstep, é cabeça de cartaz na data em que actua, num palco onde vão estar outros nomes fortes de diferentes géneros musicais.
São uma das mais inovadoras bandas dos últimos anos a surgir em Portugal, bem como uma das que mais depressa alcançou o (devido) reconhecimento da sua qualidade excepcional. Falamos da dupla de Dj Manaia e DJ klipar, que levaram avante um projecto que tem bastante de promissor e muito para dar nos próximos anos, sobretudo pelo carácter único das sonoridades com que trabalham.
